terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ARTIGO:..."É um meio para divertir, relacionar e acima de tudo, educar”...

Considerando que este artigo é dirigido, fundamentalmente, aos encarregados das equipes, nada melhor então, que começar antes de tudo pelos princípios históricos e filosóficos do nosso esporte.


Segundo a história escrita o jogo de Rugby nasceu, quando Willian Webb Ellis, não se importando com as regras do futebol de então, pegou bola com as mãos e começou a correr com ela no Colégio da cidade de Rugby, na Inglaterra. Na realidade o jogo nasceu muito tempo antes e foi se transformando de uma determinada maneira até chegar ao Rugby atual que, sem medo de nos equivocar, podemos assegurar que é o jogo mais equilibrado, mais balanceado e mais perfeito que existe para o homem. É assim que neste jogo os princípios éticos, filosóficos, técnicos e táticos estão permanentemente entrelaçados para configurar um esporte absolutamente único. Querer ensinar o Rugby partindo de bases exclusivamente técnicas ou táticas pode levar a um erro fundamental e querer ensina-lo unicamente baseado em seus tradicionais princípios filosóficos que formam o espírito do jogo pode também levar a um erro, visto que não se consegue assim materializar coisas que se podem conseguir através do jogo. É por ele esta introdução referente aos princípios fundamentais do jogo; princípios que nós, como encarregados de transmiti-los aos jogadores, nunca devemos perder de vista para o bem e a glória do Rugby Amador. Logo como aplicação prática destes princípios fundamentais, aparecem princípios técnicos que nos ajudam justamente no desenvolvimento do que se busca do nosso jogo, dentro e fora do campo.

Nunca esqueçamos que os treinadores e colaboradores de equipes são quem está em maior contato com os jogadores e não os dirigentes, nem os árbitros, ou seja, que nós somos os primeiros responsáveis por manter o espírito e as tradições do jogo.

No Rugby, os encarregados das equipes não devem buscar desculpas perante os erros dos árbitros, ou se for o caso, decisões de dirigentes em comissões de disciplina.

Nós temos que assumir a responsabilidade de que o jogo seja transmitido de geração em geração, como vem ocorrendo até agora; somos nós que temos que aceitar deixar de lado os pequenos desejos ou opiniões pessoais em prol da defesa do Rugby de seus princípios e de suas tradições e não temer que o desenvolvimento técnico do jogo, o progresso tático, a maior preparação possa afetar esses princípios básicos e fundamentais do jogo, se realmente tenham sido entendidos por nós e logo transmitidos corretamente aos jogadores no campo,Terceiro Tempo e praticamente em todas as oportunidades em que tenhamos contato com eles, mesmo fora do Clube.

Existem muitas formas de focar a parte fundamental e filosófica do jogo. Existem muitas formas de evidenciar os princípios fundamentais e todas foram utilizadas com êxito ao longo da vida do Rugby. A mim ocorreu uma forma de juntar-las em uma só frase que diz: O Rugby é um meio e um fim em si mesmo. E imediatamente surge a pergunta: um meio para que? E também aqui cada um pode contestar de maneiras distintas, mas apontando três características básicas:

1- Um meios para educar.-
2- Um meios para relacionar.-
3- Um meio para divertir.

Um meio para educar: porque desgraçado daquele esporte que não deixa algo transcendental na vida de quem o pratica. Se há dito e com razão que um esporte vale pela educação que deixa naquele que o pratica, e o Rugby o faz, porque as características próprias do jogo – que são principalmente de adversidade – ensinam a quem o pratica, bem orientado a treinar e vencer as dificuldades.

Não é verdade o que se diz de que os homens não devem sentir medo; não é errado ter medo, mas o interessante é aprender a vence-lo e o Rugby justamente dá a oportunidade de vencer o temor. Porque o Rugby educa? Primeiro pelo que acabo de dizer, segundo porque nele se faz um culto do jogo em equipe, então um aprende a viver em função dos demais, um aprende a sentir mais prazer em dar que em receber, um aprende a sacrificar-se mesmo pondo em risco o próprio corpo pelo interesse, máximo que existe dentro do campo que é a equipe. Porque o Rugby educa? Porque foi o primeiro e quase único esporte que descobriu uma verdade muito importante que diz que o Rugby (como seria qualquer outro esporte), não pode ser jogado sem adversários. As pessoas podem conceber o Rugby sem união, sem dirigentes, sem treinadores, sem público, sem jornalismo, e até sem árbitros. Em compensação sem adversários não se pode conceber o jogo de Rugby e surge então como conseqüência natural desta verdade a tradicional reunião das equipes logo depois da partida que na Argentina se chama felizmente de Terceiro Tempo e é a maneira de agradecer uns aos outros pela oportunidade que tiveram de desfrutar do jogo dentro de campo. O Rugby educa porque em um mundo materialista, é muito difícil se desenvolver sem querer tirar vantagens pessoais; permanentemente se está marcando o jogador que por melhor e mais brilhante que seja, não poderá fazer nada sem a ajuda de sua equipe e te ensina acima de tudo, que no Rugby que queremos e devemos defender, vale mais o homem que o jogador. O Rugby não fomenta nem nunca fomentou jogadores que chutem bem, que passem bem ou que formem bem um Scrum, mas fomentou sempre homens de bem que trabalhem, estudem e que, como complemento de sua atividade principal tratem de chutar bem, de passar e de entrar bem em um Scrum volante. O Rugby sempre se orgulhou de ter grandes homens e sempre destacou junto a condição natural do jogador de fazer bem as coisas dentro de um campo, a atividade privada deste jogador. Coloco de exemplo grandes jogadores que se destacaram no campo e que também produziram coisas realmente importantes para s eu país, a sociedade, a família, etc. O Rugby nunca quis ser a meta final de quem o jogava e sim o meio pelo qual o homem, ao mesmo tempo que melhorava seu físico e sua mente, melhorava espiritualmente.

O Rugby vive uma de suas maiores batalhas, que é a do pr´óprio jogo com princípios e tradições contra a pressão do ambiente exterior através de gente que trata de tirar vantagens comerciais deste jogo; e desta batalha, o Rugby emerge como verdadeiro esporte amador, emerge triunfante graças a gente que durante muitas gerações tem injetado o principio de que o Rugby é um meio e não um fim.

Também dizemos que o Rugby é um meio para relacionar e, justamente, o fato de que não se possa jogar Rugby sem adversários e que com este existe um pacto de cavalheiros de jogar o mais duro possível dento de campo, visto que quanto amis duro o jogo melhor ele é, estabelece entre os que decidem viver esta vida apaixonante do Rugby amador uma relação que não se apaga facilmente. O Rugby se vangloria de que são muito mais as amizades e relações, que os desafetos que possa provocar. O jogador de Rugby que encontrarem um adversário ocasional um homem duro e honesto no campo, depois da partida valoriza e encontra neste oponente um amigo para toda a vida e vice-versa. O Rugby fomenta as relações, amizades e uniões mais fortes. E se não, pensem na quantidade de gente que já conheceram e que não foram ao colégio com vocês, não pertencem ao mesmo ramo de trabalho, nem os vêem tão seguido como a outros e que. No entanto, encontram com elas uma afinidade muito difícil de definir e que vem dada porque o outro é um rugbier como vocês. Indubitavelmente, um meio para relacionar, um meio para vincular pessoas, povos e sociedades aparentemente muito distintas mas quando se encontram o ponto comum que se chama jogo de Rugby faz com que todas essas diferenças se minimizem com muita facilidade.

O jogo de Rugby é para se relacionar e devemos ter isso presente para ver o oponente como um adversário e não como um inimigo. Não quer dizer que não fomentemos o Rugby bem ensinado, que é o tratamento duro e leal do oponente ou adversário no campo, mas também damos o exemplo de que podemos desfrutar desta partida e desta tarde de Rugby ou desta excursão graças a esses adversários e entendamos nossa relação mais além do jogo, para a vida de cada um de nós.

Mas uma das coisas maiores que o Rugby tem é a tradição de que se respeitam as hierarquias e os cargos, os capitães e os dirigentes e as pessoas com experiência. O Rugby, por trás de tudo isso, se toma com certa – diríamos - diversão ligereza, sem testa franzida, sem solenidade militar. No Rugby, mesmo nos níveis mais altos sempre há ligar para a brincadeira, para a diversão, porque fundamentalmente, dentro e fora do campo o Rugby é para divertir-se.
Então o Rugby é um equilíbrio perfeito e assim um homem que entra de pequeno na vida do Rugby amador se educa, melhora como individuo, se relaciona e conhece gente de distintos lugares, dá e recebe de outro, e ao mesmo tempo, fazendo estas duas coisas muito importantes se diverte.É um homem que desfruta porque o Rugby é um jogo e deve seguir sendo jogo e não trabalho. De nada vale um treinador ou um jogador de Rugby que não tenha isso tudo bem claro, porque poderá saber muito de técnica e muito de tática, mas em um momento vai se perder em algum destes princípios fundamentais que são os de toda a vida do rugby e que nós temos a obrigação de manter e ainda de acrescentar.


ESTE ARTIGO ESTÁ DIRIGIDO AOS ENCARREGADOR DE EQUIPES MAS PENSAMOS QUE É MUITO IMPORTANTE QUE O LEIAM OS JOGADORES, FUTUROS JOGADORES E SOBRETUDO, OS PAIS.

Baseado no artigo de Ing. Carlos Villegas.

2 comentários:

Joanna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joanna disse...

O artigo é muito bom. O rugby é um esporte intenso e maravilhoso por causa disso, pela base filosófica que ele carrega. Já pratiquei inúmeros esportes: volei, ginástica olímpica, natação, kung fu...Entretanto, desde quando comecei a praticar o rugby, senti algo diferente nele. Em um mundo "globalizado", onde os interesses do grande capital reinam em decadência dos interesses dos trabalhadores, exaltando valores extremamente individualistas,o esporte, de modo geral, ganha cada vez mais uma dimensão mercadológica, descaracterizando a essência do esporte. Isso já aconteceu com o futebol, está acontecendo com outros esportes coletivos, como o volei, o basquete, etc...
Sinto que o rugby, ao contrário dos outros esportes, tenta manter sua base filosófica pautada nos valores citados no atigo, contrariando as tendências do mundo "globalizado".
Talvez, por isso, este esporte tenha sofrido tantas dificuldades para entrar nas olimpíadas (evento que cada vez mais ganha a dimensão mercadológica em detrimento dos ideais iniciais).
Por este mtivo, respeito e admiro o estporte